Mercado Imobiliário Residencial – Panorama Geral
Em junho, o Banco Central deu continuidade ao ciclo de flexibilização monetária, reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% a.a.. Apesar do novo corte, a ata do Copom reforçou uma postura cautelosa, destacando que a inflação e suas expectativas permanecem acima da meta, enquanto o ambiente internacional segue marcado por elevada incerteza, fatores que recomendam prudência na condução da política monetária. O Comitê sinalizou que as próximas decisões permanecerão condicionadas à evolução do cenário econômico e inflacionário.
No mercado imobiliário, a perspectiva de redução gradual dos juros continua favorecendo as expectativas para a atividade. Entretanto, um dos principais desafios do setor permanece sendo a disponibilidade de recursos para financiamento habitacional. A contínua migração de recursos da caderneta de poupança, tradicional principal fonte de funding do crédito imobiliário, tem reduzido a capacidade dos bancos de expandir suas carteiras utilizando esse instrumento. Em resposta, as instituições financeiras vêm ampliando o uso de fontes alternativas de captação, como letras financeiras, LIGs e operações de mercado de capitais, buscando sustentar a oferta de crédito diante da mudança estrutural no perfil de captação do sistema financeiro.
Nesse contexto, a combinação entre a continuidade do ciclo de queda da Selic e a diversificação das fontes de financiamento tende a criar condições mais favoráveis para o mercado imobiliário ao longo dos próximos trimestres. Ainda assim, a velocidade dessa recuperação dependerá da evolução da inflação, do ritmo de flexibilização monetária e da capacidade do sistema financeiro de ampliar a oferta de crédito em um ambiente de funding estruturalmente mais desafiador.
Atualizamos nosso cenário com base nos dados mais recentes divulgados pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação), referentes ao fechamento de junho de 2026, para acompanhar a evolução do mercado imobiliário residencial na cidade de São Paulo.
Em junho, foram comercializadas 9.308 unidades, volume 6,9% menor no comparativo às vendas de maio, assim como teve resultado 8,3% inferior em relação à jun/25. Já em relação aos lançamentos, o mês de junho apresentou o montante de 12.571 unidades, volume 4,3% abaixo em relação ao mês de maio, assim como apresentou redução de 7,4% no comparativo com jun/25.